Geral

Prestação da casa vai ter maior queda em três anos.

Muitos portugueses preparam-se para ir de férias com duplas razões para sorrir. Para além do merecido descanso, vão sentir em agosto o maior alívio dos últimos três anos na prestação da casa. O brinde é de Mário Draghi, que acenou com a possibilidade de novas descidas dos juros na Zona Euro.
30 jul 2019 min de leitura
As revisões de agosto trazem prestações mais baixas para todos os empréstimos da casa independentemente do indexante associado: Euribor a 3, 6 ou 12 meses. As reduções nos encargos mensais vão dos 0,78% aos 1,58%, as mais acentuadas dos últimos três anos.

Os empréstimos indexados à Euribor a 3 meses vão sentir a menor quebra de encargos, já que também são aqueles cujas taxas são revistas em intervalos de tempo mais curtos. Para esses créditos o corte será de 0,78% face à última revisão efetuada em maio, sendo esta a maior redução desde a revisão de abril de 2016.

Assumindo o cenário de um empréstimo no valor de 100 mil euros, a 30 anos, e com um spread de 1%, as famílias com crédito associado à Euribor a três meses veem a prestação baixar 2,41 euros, com esta a fixar-se nos 305,19 euros durante os próximos três meses.

Mais acentuados serão os cortes para os empréstimos com indexantes mais dilatados no tempo. Partindo do mesmo cenário, nas revisões dos créditos com Euribor a seis meses, a prestação baixa 1,58%, a maior quebra desde a revisão de agosto de 2016. A prestação é fixada nos 305,99 euros, significando uma poupança mensal de 4,92 euros ao longo do próximo meio ano.

Já nos empréstimos com Euribor a 12 meses — indexante usado no grosso das novas operações (93,8%, em 2018) de crédito à habitação de taxa variável — a descida será de 1,5%. Trata-se da maior redução desde a revisão de agosto de 2016, que neste caso faz a prestação baixar 4,59 euros, para se fixar nos 308,85 euros ao longo do próximo ano.

Juros negativos? Durante mais cinco anos espera o mercado

Seria necessário recuar até 2016 para assistir a reduções mais dilatadas nos encargos com a casa. Na altura, tal como agora, a responsabilidade para essa evolução esteve em Mario Draghi. Em março daquele ano, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), cortava a taxa de juro de referência para a Zona Euro para 0%, algo nunca visto, e o que arrastou os indexantes para valores ainda mais negativos.

O mesmo cenário está a acontecer agora, perante a possibilidade de o BCE avançar com novos cortes de juros. Em meados de junho, durante o fórum do BCE que decorreu em Sintra, Mario Draghi assumiu essa possibilidade. No seguimento disso, as Euribor mergulharam rumo a valores ainda mais negativos. O efeito das palavras de Draghi foi de tal forma intenso que em apenas um dia os futuros da Euribor a três meses — indexante de referência para cerca de metade dos créditos à habitação existentes em Portugal — estenderam em seis meses o período em que apontavam para que os juros se mantenham em terreno negativo.

Já na reunião de política monetária de julho, e perante um outlook económico “cada vez pior” na Zona Euro segundo as próprias palavras, o presidente do BCE reiterou a disponibilidade para usar todos os instrumentos ao seu dispor, incluindo corte de juros, para evitar que a economia descarrile.

Perante essa possibilidade, o mercado voltou a incorporar a visão do BCE e estendeu ainda mais no tempo o período em que vê juros negativo no espaço do Euro. Aponta para que esse seja o cenário pelo menos durante os próximos cinco anos, até junho de 2024. Segundo dados da Reuters, em junho de 2024 o mercado aponta para uma taxa de juro de referência do -0,05%. Atualmente, a Euribor a três meses está nos -0,367%.

 

Fonte: Eco.pt
 
Geral
Veja Também
Outras notícias que poderão interessar
Estamos disponíveis para o ajudar Pretendo ser contactado
Data
Hora
Nome
Contacto
Mensagem
captcha
Código
O que é a pesquisa responsável
Esta pesquisa permite obter resultados mais ajustados à sua disponibilidade financeira.